IA como ferramenta de apoio à criação e atividades cognitivas como prevenção ao aparecimento do Alzheimer.
IA, Criação e Mente Ativa: Estilo de Vida e Prevenção do Alzheimer
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O Estudo US POINTER e a “Receita” para um Cérebro Jovem
Um estudo americano divulgado na revista JAMA (The Journal of the American Medical Association) e apresentado na conferência internacional de Alzheimer, em Toronto, acompanhou mais de dois mil adultos entre 60 e 79 anos, todos com risco aumentado de desenvolver problemas cognitivos, mas sem sinais de demência. O objetivo foi investigar se mudanças no estilo de vida poderiam preservar ou ainda melhorar a saúde cerebral no processo do envelhecimento. Os resultados foram bastante animadores. O estudo mostrou que mudanças simples no estilo de vida preservam, e até rejuvenescem o cérebro. Tanto o grupo que seguiu um programa intensivo (com exercícios físicos supervisionados, dieta equilibrada e atividades cognitivas regulares) quanto o grupo autoguiado apresentaram melhora nos testes de memória e cognição. O grupo intensivo apresentou um desempenho equivalente ao de pessoas 1 a 2 anos mais jovens. Em outras palavras: exercícios físicos aliados à dieta equilibrada e atividades cognitivas regulares melhoram memória e cognição, retardando o envelhecimento cerebral.
Exercícios Físicos, Atividades e o Cérebro
Pesquisas da Universidade de Bristol e Unifesp mostram que atividades aeróbicas (caminhada, corrida, natação, ciclismo) reduzem marcadores do Alzheimer e têm impacto direto na saúde cerebral. Reduzem placas amiloides, emaranhados de tau e inflamação cerebral que são marcadores-chave do Alzheimer. Em experimentos com roedores, as placas amiloides foram reduzidas em 76%, os emaranhados de tau em 63% e o acúmulo de ferro em 58%.
Além da atividade física, o estudo US POINTER reforça que jogos de memória, leitura, aprender novos idiomas e manter-se socialmente ativo são fundamentais para retardar ou até reverter alterações cerebrais do envelhecimento.
Dicas práticas para melhorar a qualidade da saúde cerebral.
- Inclua exercícios aeróbicos na rotina.
- Adote uma dieta rica em vegetais, grãos integrais e azeite.
- Pratique atividades cognitivas: leitura, jogos, aprendizado de novas habilidades.
- Mantenha-se socialmente ativo e monitore pressão alta e diabetes.
IA, Música, Riscos Legais, Éticos e Emocionais
Em dezembro de 2025, viralizou a música “A Sina de Ofélia”, criada por IA simulando as vozes de Luísa Sonza e Dilsinho em um arranjo de pagode/samba, baseada em música de Taylor Swift (The Fate of Ophelia). O caso levantou debates sobre direitos autorais, uso da voz como identidade e os limites da criatividade na era digital.
No Brasil, a transformação de uma obra preexistente em uma nova obra é classificada como obra derivada e depende de autorização prévia e expressa do autor. A criação de uma versão completa, que substitui o consumo da original e é monetizada em plataformas de streaming, não se enquadra nas exceções legais. Além dos direitos patrimoniais, o caso fere os direitos morais da autora, previstos no Artigo 24 da LDA, e os direitos de personalidade dos artistas brasileiros, já que a voz é considerada extensão da identidade humana e protegida constitucionalmente, e nem a Luíza, nem o Dilsinho autorizam o uso de suas vozes. Neste caso em particular, o problema atingiu 3 artistas simultaneamente.
“A utilização não autorizada de obras protegidas configura violação. Isso significa que, se um modelo de IA usa indevidamente sua criação, a responsabilidade legal pode recair sobre a desenvolvedora e, em alguns casos, sobre o usuário final.” — Jusbrasil, 2025 (leia completo aqui)
A IA generativa permite a criação de deepfakes altamente realistas, abrindo espaço para fraudes, extorsão, bullying e danos à reputação. A ausência de leis específicas exige medidas preventivas e auditoria constante.
Conclusão: Reflexão Crítica
A inteligência artificial oferece oportunidades incríveis quando bem utilizada, mas também traz riscos reais de dependência, isolamento, violação de direitos e erosão da confiança social. O desafio é não demonizar a tecnologia, mas usá-la de forma ética, com senso crítico e consciência.
Todos temos que tomar ação neste processo, dialogar, informar, apoiar e manter o pensamento crítico ativo, estimulando o viés da razão especialmente entre os jovens. Muito além dos algoritmos estão as relações humanas, a empatia e o discernimento que nos tornam verdadeiramente humanos e que jamais poderão ser substituídos por uma pilha de memória RAM processando dados.
Mantenha o cérebro ativo, o coração aberto e a curiosidade viva. O futuro já começou e cabe a nós decidir como queremos vivê-lo.
Você também pode ouvir o episódio do Podcast Terapia em Dia abaixo: