Descubra como a Páscoa incorporou elementos pagãos da deusa Ostara e a conexão cultural na série Equinox da Netflix.

Páscoa, Ostara e o Equinócio: como tradições pagãs influenciaram a celebração moderna

A Páscoa, como conhecemos atualmente, é uma festa cristã amplamente difundida para celebrar a ressurreição do Cristo. Mas o que poucas pessoas sabem é que os símbolos associados a esta data, como os ovos, coelhos e a própria ideia de renovação têm raízes muito mais antigas, vindos de festivais pagãos europeus que celebravam a chegada da primavera. Entre essas tradições, destaca-se a figura de Ostara (ou Ēostre), uma deusa germânica associada à fertilidade, ao renascimento e ao equinócio de primavera.

Quem foi Ostara?

A principal referência histórica sobre a deusa Ostara vem do monge inglês Beda, no século VIII, que descreveu que os anglo-saxões celebravam um festival em sua homenagem durante o mês de Ēosturmōnaþ (abril). Segundo Beda, o nome “Easter” (Páscoa, em inglês) teria derivado dessa festividade (Ostara).

Apesar da documentação ser escassa, e alguns historiadores ainda debaterem até que ponto Ostara foi realmente cultuada, existem evidências arqueológicas que sugerem a existência de divindades semelhantes no mundo germânico, como as matronae Austriahenae, encontradas em inscrições votivas na Alemanha

Deusa pagã Ostara associada à primavera e à tradicional Páscoa cristã.
Ostara - deusa da fertilidade, primavera e do renascimento da mitologia anglo-saxã.
Monge inglês Beda escritor de textos sobre a deusa Ostara
Monge inglês Beda - Séc. VIII

Ovos, coelhos e fertilidade: símbolos que antecedem o cristianismo

Os símbolos da Páscoa como ovos e coelhos são explicados pela associação de Ostara com a fertilidade e renascimento, uma vez que já eles apareciam em tradições da primavera muito antes do cristianismo. Esses elementos representavam abundância, vida nova e o despertar da natureza após o inverno.

Quando o cristianismo se espalhou pela Europa, muitas dessas práticas foram incorporadas às suas celebrações com o passar do tempo. E isso não foi por acaso, na verdade, essa prática foi bastante estratégica. Esses elementos não entraram na cultura cristã como substituição, mas como uma forma de facilitar a transição cultural entre povos pagãos e cristãos. Essa fusão é comum em diversas festividades religiosas.

Origem pagã da Páscoa e a adaptação de tradições antigas

Embora a Páscoa cristã não tenha sido derivada diretamente do festival de Ostara, a comemoração absorveu elementos simbólicos que já eram populares entre os povos pagãos. A própria variação da data em que se celebra a tradicional Páscoa cristã vem dessa origem. Essa festividade é comemorada sempre no primeiro domingo após a primeira Lua Cheia que sucede o Equinócio de Primavera do Hemisfério Norte. Fontes modernas reforçam que, embora a ligação direta entre Ostara e a Páscoa seja limitada historicamente, a associação cultural entre ambas se tornou parte do imaginário popular e acadêmico.

A cultura do equinócio e a série Equinox da Netflix

E por falar em Equinócio de Primavera, se você assistiu à minissérie Equinox (Netflix), provavelmente percebeu que a narrativa gira em torno de rituais antigos ligados ao equinócio e à deusa Ostara (ou acabou ficando confuso e não entendeu nada da trama). A série explora justamente essa camada mística da cultura nórdica, mostrando como mitos pré-cristãos ainda estão presentes no imaginário de países do norte da Europa.

Confesso que quando eu assisti pela a série não entendi totalmente as referências, e por um bom motivo, essa mitologia não faz parte da nossa formação cultural no Brasil. Mas como eu sempre gosto de pesquisar sobre as séries que eu assisto, ao ler sobre a traição nórdica tudo fez sentido: Equinox usa Ostara como símbolo de transição, renascimento e sacrifício, elementos que ecoam tanto nas tradições pagãs quanto nas interpretações modernas da Páscoa.

A série é uma ótima forma de visualizar como essas tradições ainda são lembradas e reinterpretadas hoje. Ela funciona quase como uma ponte entre o passado pagão e a cultura contemporânea.

Essa recomendação de série vale muito a pena, mas não se esqueça de prestar muita atenção, pois os elementos apresentados podem ser de difícil compreensão para o enredo. Por isso deixo um conselho, ao terminar todos os episódios, pesquise mais sobre essa cultura, e tudo ficará mais claro!

Páscoa no Brasil x Equinócio no Hemisfério Norte

Enquanto no hemisfério norte a Páscoa está alinhada à chegada da primavera, no Brasil ela acontece no outono, e isso naturalmente causa um distanciamento da nossa percepção dos símbolos de fertilidade e renascimento ligados à estação.

Por isso, muitas vezes não percebemos as associações simbólicas de que:

  • os ovos representam vida nova;

  • o coelho simboliza fertilidade;

  • a data está historicamente associada ao renascimento da natureza.

Esses elementos fazem muito mais sentido quando vistos sob a ótica das culturas europeias antigas e a série Equinox ajuda a ilustrar isso de forma visual e narrativa.


Descubra mais sobre Guilherme Biotto – Terapeuta Holístico, Mentor e Palestrante

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