Crises de ansiedade podem surgir de repente, mas entender seus sinais é o primeiro passo para recuperar o controle. Veja como ela age no corpo e o que fazer.
Ansiedade: o que fazer durante uma crise
Sofrer uma crise de ansiedade é, com certeza, um dos momentos mais desagradáveis da vida. E o pior de tudo é que não importa o momento, o local ou a situação: ela pode chegar sem avisar e virar tudo de cabeça para baixo. Não tem jeito; nessa hora, o melhor recurso de que você pode dispor é o conhecimento. Somente o conhecimento pode ajudar você a identificar os sinais e conter uma crise ansiosa.
A ansiedade também é um mecanismo de proteção
Antes de ser o agente causador de tantos sintomas físicos, a ansiedade é um mecanismo de defesa e sobrevivência. É ela que nos proporciona reflexos em um momento de perigo, podendo, inclusive, salvar nossas vidas. Então, por mais absurdo que possa soar ou parecer, sim, ela é essencial ao ser humano e possui funções positivas.

Todos nós já ouvimos, em algum momento, que a ansiedade é o mal moderno. Mas o que poucas pessoas dizem é que, de moderna, ela não tem nada! Ela sempre esteve presente no cotidiano da humanidade, desde o ser humano mais primitivo. O homem das cavernas lutava pela sua sobrevivência a todo momento, e quem o mantinha vivo era justamente a ansiedade.
Ao avistar um predador, a ansiedade entrava em ação, iniciando o processo da chamada reação de luta ou fuga. Só existem três possíveis respostas ao perigo iminente: lutar, fugir ou congelar; e quem determina essa resposta é a ansiedade. Essa resposta acontece em cerca de 4 milissegundos, tão rápido quanto acender uma luz.
Esse processo acontece de forma tão automática, instintiva e rápida que é impressionante perceber como nosso corpo é projetado para nos proteger. É uma arquitetura perfeita: para cada resposta, uma reação; para cada reação, um comportamento.
Se o mundo mudou, por que a ansiedade continua ativa?
A vida se modernizou, o mundo mudou, mas o nosso mecanismo de defesa continuou ativo. E ainda bem! Porque, apesar de você não precisar se levantar cedo e ir à caça do seu alimento — literalmente falando —, as situações de risco ainda existem, talvez até de forma mais intensa com tanta modernidade.
O trânsito é um exemplo clássico. Ao menor sinal de risco de acidente — como um carro fechando você ou uma criança atravessando correndo na frente do seu veículo —, a ansiedade dispara uma resposta automática. Dessa forma, você tem uma reação instintiva e consegue desviar a tempo de evitar uma tragédia.
Os exemplos são inúmeros de quantas vezes ela já nos salvou e ainda salvará. É por isso que é um equívoco falar em cura para a ansiedade, porque um ser humano sem ansiedade seria um ser humano sem instinto de sobrevivência — e provavelmente não duraria muito no mundo lá fora.
Quando a ansiedade aparece “do nada”
Mas existem momentos em que ela vem “do nada” e deixa qualquer pessoa a ponto de endoidar. Nessa hora, ela não parece ser tão amiga assim. Então, o que fazer? Primeiro, é preciso entender que a ansiedade pode se formar por duas vias: pelo pensamento ou diretamente no corpo.
De forma extremamente sintética, quando você pensa demais sobre algo que o aflige, o cérebro entende que essa informação é potencialmente perigosa e dispara os neurotransmissores responsáveis por deixar você ansioso. Traduzindo: de tanto pensar, a ansiedade se manifesta no corpo.
Por outro lado, existe a via direta do corpo, acionada em momentos como o risco de um acidente de carro. Não dá tempo de pensar, e o corpo precisa de uma resposta imediata. Nessa hora, o pensamento não participa de imediato; ele só entra em ação posteriormente.
Por isso, é muito importante identificar sua origem: ela está vindo pelo pensamento ou pelo corpo? Somente com essa informação em mãos podemos passar ao estágio do controle. A regra é simples: se começou no pensamento, contenha no pensamento; se começou no corpo, contenha no corpo.
Quando começa no pensamento: tire o foco do problema
Se ela está surgindo pelo pensamento, o caminho mais fácil para o controle é a distração: leia um livro, ouça uma música, medite, veja um filme ou uma série, converse com pessoas etc. O importante é tirar o foco do problema. Isso interrompe o ciclo vicioso que leva aos sintomas físicos.
Quando começa no corpo: acalme o sistema nervoso
Quando ela se manifesta no corpo, não adianta querer meditar a qualquer custo; nessa hora, isso pode ser pior e gerar frustração. Existem algumas técnicas simples que funcionam muito bem.
Respiração: uma ferramenta simples e acessível
Exercícios de respiração são excelentes porque ajudam a conter a ativação do sistema nervoso simpático e a ativar o sistema nervoso parassimpático, responsável por acalmar o corpo. Existem inúmeros exercícios e práticas respiratórias, especialmente os do pranayama. Você pode utilizar aquele de que mais gostar. Uma opção simples é inspirar profundamente, segurar o ar por alguns segundos e soltar pela boca.
Mindfulness: presença como prevenção e controle
O mindfulness também é uma prática poderosa, que funciona não só como controle, mas também como prevenção. Quanto mais você pratica, mais autocontrole desenvolve. Essa técnica consiste em estar presente no aqui e agora.
Você pode prestar atenção à sua respiração, ao seu corpo, a um som externo ou a qualquer coisa que traga você para o momento presente. Isso desativa o modo túnel de foco no problema e ativa o sistema nervoso parassimpático. Abaixo, você encontra o áudio do Scan Corporal, um exercício poderoso de mindfulness.
Atividade física: aliada, mas com atenção durante a crise
As atividades físicas são grandes aliadas da saúde. Como prevenção, podem ser as mais diversas, de acordo com seus gostos e condicionamento. Mas, durante a crise, existem pontos de atenção: evite atividades de alta intensidade, pois elas podem aumentar ainda mais os níveis de neurotransmissores excitadores e a quebra de glicose para gerar energia.
Quando a ansiedade está agindo no corpo, dê preferência a atividades leves ou moderadas, como caminhada, bicicleta, subir e descer escadas ou atividades aeróbicas em geral. Elas ajudam a conter os sintomas e liberam hormônios associados ao prazer e à felicidade.
Ansiedade tem tratamento
Não se esqueça de que a ansiedade tem tratamento. É de extrema importância consultar um médico especialista sempre que houver necessidade de uso de medicamentos. Jamais utilize medicação por indicação de amigos ou, pior, por IA. Os medicamentos auxiliam no controle dos sintomas físicos.
O acompanhamento terapêutico é fundamental para a identificação dos fatores psicoemocionais causadores das perturbações ansiosas. É por meio da terapia que se compreende e se trabalha sobre as causas, evitando que elas voltem a se manifestar e promovendo mais autocontrole emocional.
Então, lembre-se sempre: ansiedade não é frescura e tem tratamento. Busque ajuda o quanto antes e evite o agravamento de um quadro mais severo.
Palestra sobre ansiedade para empresas
Se você gostaria de levar esse tema para dentro da sua empresa, preparei um vídeo curto sobre como foi a experiência na empresa W Cosméticos de Boituva – SP para os colaboradores. Levar informação é o melhor meio de auxiliar no bem-estar da equipe para identificação de sinais e desenvolvimento de autocontrole emocional no dia a dia.
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