Descontrole emocional: uma sociedade à flor da pele
Estamos deixando as emoções nos controlarem? Será que perdemos a capacidade de discernir e raciocinar por nós mesmos? A sociedade está gritando desesperadamente por socorro emocional, sem, contudo, buscar essa ajuda. É um grito de dor e sofrimento de um povo que está adoecendo dia após dia. Uma enorme ferida aberta, sangrando desenfreadamente, e, no entanto, em vez de buscarem curativos, muitos estão fazendo questão de deixar a dor e a sangria consumi-los.
Internet, redes sociais e a escalada da intolerância
Não é de hoje que vemos o adoecimento da sociedade, e o avanço brutal da internet e das redes sociais acelerou ainda mais o processo. Houve um tempo em que você podia gostar ou desgostar de algo sem que isso afetasse ou impactasse a vida de terceiros. Atualmente, cada opinião expressa — especialmente as feitas publicamente na internet — parece soar como um verdadeiro soco no estômago de quem tem outra perspectiva.
Qualquer comentário pode se tornar o combustível para incinerar a grande rede mundial de dados, culminando em uma explosão ilimitada de ódio, preconceito e até ameaças. Basta uma pequena quantidade de palavras que encontrem mentes fracas com visões diferentes das suas. Está armado o campo de guerra!
Tudo vira motivo para chacota, agressão e sabe-se Deus mais o que o ser humano é capaz de fazer. Será que estamos despertando o que há de pior nas pessoas ou será que elas simplesmente desistiram de tentar esconder o quanto estão tomadas pelo ódio?
No Reiki, o mestre Mikao Usui, com o conceito dos Cinco Princípios, nos revelou de forma brilhante, por meio do princípio “Apenas hoje, não me irritarei”, que as nossas emoções nos pertencem. Quando alguém faz ou diz algo que nos enraivece, é porque essa emoção já existia dentro de nós. Funciona exatamente como um interruptor que apenas é acionado.
Esse interruptor está ficando cada vez mais sensível, cada vez mais fácil de ser acionado, e o resultado é um mundo agressivo. Viramos reféns de nossas próprias emoções.
Polarização política e reações impulsivas
Nem preciso mencionar que a reta final da corrida eleitoral é um galão de querosene derramado sobre a fogueira, né? Tudo se polariza. Expressar uma opinião é, com toda certeza, comprar briga. Política e religião viraram uma simbiose que, sinceramente, creio que exigirá um trabalho minucioso e muito esforço para ser desfeita.
Estamos a poucos dias de decidir o futuro — ou, pelo menos, os próximos quatro anos — do país. Pouco se fala sobre propostas, muito se fala sobre crenças e valores pessoais, e parece que as eleições se resumiram a cortes do Instagram. Um reflexo claro de uma sociedade em declínio, que corre de peito aberto para um penhasco, como um verdadeiro kamikaze.
Não importa o que seja: por melhor que uma medida ou proposta possa ser, aqueles que pensam de forma diferente sempre irão rebater sem sequer refletir se ela faz ou não sentido. Isso é explicado pela teoria do afeto — não se trata de carinho, mas da maneira como somos afetados por algo. Tudo o que vai contra aquilo em que alguém acredita gera repulsa imediatamente e, sem se dar ao trabalho de pensar sobre o assunto, já começa a gritaria, o dedo na cara e a confusão.
Se o ser humano se preocupasse mais em cuidar da saúde psicoemocional, trabalhar melhor o autoconhecimento e — para variar um pouco — usar mais a inteligência e o raciocínio, em vez de se guiar por opiniões alheias e pela IA, muita confusão seria evitada. As emoções não devem nos dominar; ao contrário, nós é que devemos ter domínio sobre elas.
Deixar que o ego se infle simplesmente para defender um ponto de vista — muitas vezes sem embasamento, apenas por repetição do coletivo — é permitir que as emoções subjuguem o racional, e isso é muito perigoso. Quantas vezes, em uma briga, depois que os ânimos se acalmam, nos arrependemos amargamente do que falamos ou dissemos?
Antes de se levantar em armas contra alguém, alguma ideia ou situação, pare, respire, pense e só depois emita sua opinião. Isso pode poupar você de uma porção de desentendimentos. E isso vale para a vida: esqueça, por um momento, que estamos às vésperas da eleição, porque este artigo não é sobre política, mas sobre uma sociedade à beira da loucura e de um total descontrole emocional.
O caminho para recuperar o equilíbrio emocional
Ninguém apaga incêndio com gasolina e, se não houver o mínimo esforço de nossa parte para romper esse fluxo destrutivo, as consequências poderão ser irreversíveis. Eu não estou pedindo que você se torne um Buda, mas que pare e repense a sua relação com as próprias emoções. Quem está no controle?
Eu ainda acredito em um mundo melhor, e ele só será possível se começarmos por nós mesmos. Façamos hoje o que poderemos nos arrepender amanhã de não termos começado enquanto era tempo.
Descubra mais sobre Guilherme Biotto – Terapeuta Holístico, Mentor e Palestrante
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