Entenda os sinais da depressão e como o Setembro Amarelo reforça a importância do acolhimento, da saúde mental e da prevenção ao suicídio.

Depressão: os sinais que não podemos ignorar

Setembro Amarelo é conhecido por ser o mês de conscientização sobre a prevenção do suicídio e a valorização da vida. Essa campanha acontece desde 2015 no Brasil. O mês de setembro foi escolhido como forma de representação da campanha, já que o dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. No entanto, o que poucos sabem é que ela acontece o ano todo.

De alguns anos para cá, o que temos visto, infelizmente, é uma total falta de bom senso e responsabilidade com o tema. Empresas oferecem “mimos” com lacinho amarelo e frases motivacionais — que, diga-se de passagem, seria preferível não entregar nada a entregar certas coisas — sem se preocupar com o real intuito da campanha. Nenhum bombom com frase de efeito vai impedir uma pessoa de atentar contra a própria vida. Muito pelo contrário: reduzir a campanha a esse tipo de coisa é menosprezar a dor de quem sofre, muitas vezes, em silêncio.

Pessoa sofrendo de depressão em silêncio.

Suicídio é questão de saúde pública

O suicídio é um problema de saúde pública e, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), anualmente mais pessoas morrem por suicídio do que por HIV, malária, câncer de mama, guerras e homicídios. Os números são assustadores e, entre jovens de 15 a 29 anos, o suicídio está entre as três principais causas de morte.

Não pretendo aqui me alongar em dados e percentuais, mas deixo a recomendação do link oficial para você que deseja saber o quanto esses dados são preocupantes. Você pode ler em detalhes clicando aqui.

Depressão não é tristeza passageira

A depressão é um dos fatores de maior relevância quando falamos sobre o tema principal da campanha. Diferente da tristeza passageira, a depressão é uma doença crônica que impacta diretamente a qualidade de vida enquanto saúde física, mental e emocional; altera o sono, a alimentação, a sensação de prazer e as relações sociais. Depressão não é apenas estar triste. É um emaranhado bem mais complexo que isso.

Entre alguns dos sintomas, podemos destacar:

  • Sentimentos negativos e pensamentos intrusivos: a vida perde o propósito, tudo fica turvo e sem perspectiva de um futuro melhor, nada parece ter uma solução viável ou um final feliz, a pessoa sente-se inútil e acredita que se “desaparecesse” não faria falta, e os pensamentos intrusivos passam a se fazer constantes – como o desejo de tirar a própria vida.
  • Cansaço e falta de vitalidade constantes: a pessoa já acorda cansada, sente que não tem forças para fazer coisas simples do dia a dia e não consegue fazer o que antes era algo cotidiano.
  • Perda de interesse e motivação: o que antes lhe dava prazer já não a motiva mais, tudo parece chato e sem graça, não sente mais vontade de nada.
  • Problemas de sono: dormir se torna um problema, podendo oscilar entre insônia e excesso de sono.
  • Problemas alimentares: a alimentação também se torna algo problemático. A pessoa pode ganhar ou perder peso sem explicação, querer comer demais ou não querer comer coisa alguma.
  • Isolamento social: o contato com outras pessoas se torna cada vez mais limitado, ficar dentro do quarto com tudo fechado se torna rotina, atividades sociais praticamente passam a ser nulas.
  • Problemas cognitivos: perda de foco, concentração, memória fraca e raciocínio mais lento.
  • Uso de substâncias: em alguns casos, a pessoa depressiva acaba encontrando refúgio no álcool, nas drogas e em medicamentos — sem recomendação e acompanhamento médico — para anestesiar a dor.
  • Automutilação: em casos mais severos, a pessoa passa a se machucar, beliscando-se, batendo-se ou ainda se cortando — normalmente com lâminas de barbear, estiletes e facas — como um meio de desviar a dor emocional para a dor física. Algumas pessoas relatam que a dor física funciona como uma distração da dor emocional angustiante; outras justificam o ato como uma forma de autopunição ou ainda como uma maneira de sentir alguma coisa em meio à sensação de vazio.

Os sintomas variam de caso para caso, mas é sempre importante estar atento para buscar ajuda ou oferecê-la a quem precisa.

Ninguém está imune e ninguém deveria enfrentar a dor sozinho

A ansiedade também é um fator de risco, e você pode ler mais sobre o tema no artigo anterior deste blog, clicando aqui. Então, depressão e ansiedade estão longe de ser “falta de Deus” ou de serem resolvidas com frases como “Você já tentou não sentir isso?” ou “Mas você tem de tudo, sua vida é tão boa, não deveria sentir esse tipo de coisa”. São transtornos que precisam de atenção e acompanhamento por meio de suas redes sociais.

Qualquer pessoa está sujeita a sofrer desses males que vêm ganhando mais e mais espaço nas estatísticas. É importante que saibamos acolher e ajudar, em vez de criticar, ridicularizar e fingir que nada está acontecendo.

Recentemente, o dublador Clécio Souto — famoso por grandes trabalhos como Tentomon, em Digimon; Castiel, em Sobrenatural; Kel, de Kenan e Kel; e tantos outros trabalhos que marcaram várias gerações — publicou uma carta de despedida em seu Instagram. Felizmente, amigos e familiares chegaram ao seu apartamento a tempo de salvá-lo. Hoje, ele se encontra em tratamento e está sempre atualizando os fãs sobre seu estado de saúde.

Ator e dublador Clécio Souto.

Na tarde de ontem, 6 de setembro de 2026, a atriz Estefanía Villarreal, famosa por interpretar a personagem Celina em Rebelde (versão mexicana), publicou em seu Instagram a seguinte mensagem:

Mensagem divulgada por Estefanía Villareal em suas redes sociais.

“Se amanhã eu perder a batalha contra a depressão e a ansiedade, quero que saibam que tentei ser uma boa filha, uma boa irmã, uma boa namorada e um bom ser humano. Mas, mamãe, sua filhinha já não pode mais.”

Desde então, até o momento em que escrevo este artigo, não tivemos mais notícias da Estefanía por meio de suas redes sociais nem por nenhum outro canal de imprensa. Espero que a nossa eterna Celina esteja bem, segura e que receba todo o apoio e amor incondicional da família, dos amigos e dos milhares de fãs ao redor do mundo. Desejo melhoras ao Clécio e a Estefanía.

Atriz Estefanía Villareal conhecida mundialmente pelo papel de Celina em Rebelde.

Os sinais existem e precisam ser levados a sério

Devemos quebrar imediatamente o mito de que “quem ameaça não vai fazer nada”. Sim, muitas vezes a pessoa avisa, como foi o caso do Clécio. Felizmente, hoje ele está bem. Mas quantos não tiveram a mesma oportunidade de uma segunda chance? Quantos avisam, dão sinais e são ignorados?

Nem todos vão expor suas dores e sofrimentos publicamente na internet, mas podem, de forma silenciosa, gritar por socorro por meio de comportamentos, gestos, atitudes, sintomas e sinais. É muito importante que estejamos atentos e preparados para lidar com a situação. A informação é o melhor recurso de que dispomos para ajudar alguém.

Lembre-se de que todos estão sujeitos a isso, incluindo você e eu. E é por isso que conscientizar é muito mais do que usar um lacinho amarelo. Precisamos falar de saúde mental o ano todo. Também é por isso que eu dedico um tempo especial para escrever este blog e produzir o podcast. Se você está aqui, meu muito obrigado; saiba que você nunca está sozinho. Em caso de necessidade, disque 188, o telefone do CVV — Centro de Valorização da Vida.


Descubra mais sobre Guilherme Biotto – Terapeuta Holístico, Mentor e Palestrante

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