Entenda por que a queixa que se torna um hábito não leva a lugar algum e como romper esse ciclo.

A arte de reclamar: como sair do ciclo da queixa

Vivemos em uma realidade que, inegavelmente, possui seus altos e baixos, seus prós e contras, seus desafios e realizações. Mas o que parece ressoar com uma intensidade assombrosa em boa parte da população é justamente a arte de reclamar. O dia pode estar lindo, cheio de boas histórias pra contar, mas aquela coisinha… Ah, aquela coisinha que aconteceu… Ela rende uma vasta lista de palavras e frases que vão se unindo e formando a mais longa e mais interessante história do dia, que prende a atenção e reforça o quão terrível aquele acontecimento foi.

Mulher na arte de reclamar sobre tudo no telefone.

O importante é o engajamento

A reclamação sempre foi um meio de exaltar o quanto algo ruim impacta a vida de alguém e cada vez mais vem ganhando força como um hábito, uma parte imprescindível da rotina das pessoas. Não basta contar o problema, é preciso exaltá-lo. Tem que ter intensidade, drama, é quase como se fosse o roteiro de um filme, série ou novela. Buscar solução? Que nada, isso dá trabalho. Bom mesmo é reclamar! É falar mal de uma situação, de um grupo, de uma ideia ou de qualquer coisa que seja. Mas procurar resolver o problema está fora de cogitação.

E assunto é o que não falta! É o governo, a internet, o algoritmo, o “performar”, o imposto, a eleição, a TV, o relacionamento, o dinheiro… Eu poderia passar o dia todo listando assuntos aqui, sério. Com o tema escolhido, aí fica fácil: é só deixar as palavras saírem. Garanto que não vão faltar adjetivos pra descrever tamanha calamidade.

Ah, mas dá pra melhorar tudo isso, e como dá pra melhorar! Quer um conselho pra reclamar de forma bem moderna? Pega o seu celular, posicione-o num ângulo bem bom — mas tem que ser um ângulo bom mesmo —, não esquece de olhar a iluminação e o cenário de fundo. Depois, você liga a câmera, finge que tá fazendo alguma coisa aleatória enquanto reclama de tudo e de todos. Os próximos passos são fazer uma edição bem bonita e jogar nas redes sociais. Agora sim, PERFEITO!

Pronto, meus parabéns, você conseguiu reclamar e com isso prender a atenção de milhares de pessoas que também adoram fazer isso, mas sem buscar nenhuma forma de solução.

Da arte de reclamar à responsabilidade

Não dá pra negar que, ao longo do dia, com a vida atribulada, afazeres, trabalho, estudo etc., uma coisa ou outra acaba escapando e, quando vemos, já reclamamos. Mas o que você faz com essa informação? Soltou, o vento levou as palavras da sua boca, elas se perderam no universo e acabou por ali mesmo? Quais são suas estratégias e ações para minimizar ou resolver o assunto?

A verdade é que o ser humano adora permanecer passivo diante das adversidades, esperando que um grande salvador tire, com as mãos, todos os problemas e que tudo se resolva com a lei do mínimo esforço. Parafraseando a oração do Pai-Nosso, eu sempre digo que a maioria das pessoas é só “venha a nós o vosso reino”, mas “seja feita a vossa vontade” que é bom, nada! Ou seja, querem os louros, os direitos, mas, na hora dos esforços e dos deveres, tiram o corpo fora.

Certa vez, tive a oportunidade de participar de um workshop com a incrível Cristina Cairo — um ser humano fantástico —, que sempre usa a analogia do “ofurô de cocô”. Tá tudo uma grande M… mas tá quentinho! Tá tudo ruim, mas tá cômodo, tá confortável. É exatamente isso que acontece quando uma pessoa passa a vida se queixando, deitada no sofá, esperando ser agraciada com uma vida melhor.

Troque a queixa pela ação

Imagine se os grandes inventores tivessem vivido nesse mesmo padrão. Se Thomas Edison tivesse passado a vida escrevendo cartas sobre o quão terrível era o uso de velas e lampiões e, no primeiro fracasso, tivesse desistido de tudo, talvez hoje nem soubéssemos quem ele foi. Foram centenas, talvez milhares, de testes, erros e “fracassos” até que, finalmente, a lâmpada elétrica funcionasse.

Edison com certeza é um exemplo a ser seguido e ficaria estarrecido ao ver que, na modernidade, o maior fracasso da humanidade é desistir no primeiro fracasso, sentar-se no sofá com o celular na mão e se pôr a lamuriar: “Oh céus! Oh vida! Oh azar!”, como a hiena Hardy.

Livro "Um dia sem reclamar"O livro “Um dia sem reclamar” é uma excelente recomendação pra você que quer se aprofundar nesse assunto e romper padrões repetitivos que não levam a lugar algum.

E, antes de finalizar, quero deixar um conselho que pode ser de grande valia. Quando bater aquela vontade de cair no ciclo vicioso de ficar se queixando, ou mesmo que já tenha iniciado — porque às vezes a gente derrapa, é normal —, pare e pense de forma reflexiva: o que isso muda em minha vida e como eu posso reagir diante disso? Nada se faz sozinho nem da noite pro dia. Nada se resolve sem ação.

Reclamar é uma arte, mas é a arte dos preguiçosos. Estoure essa bolha e, assim como o livro sugere, passe (pelo menos) um dia sem reclamar.

Link para o livro:


Descubra mais sobre Guilherme Biotto – Terapeuta Holístico, Mentor e Palestrante

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